sexta-feira, 29 de julho de 2011

Todos somos

Sempre senti vergonha alheia de pessoas recalcadas. Me contorço ao me deparar com declarações vergonhosas e claramente desesperadas. Talvez essa vergonha surja do nosso próprio recalque, que fica escondido na maior parte do tempo. Quem nunca foi recalcado? Todos somos quando adolescentes. Quem não se lembra dos sub-nicks do MSN? Na maioria das vezes, letras de músicas sofridas para as meninas, e para os meninos coisas do tipo: “vou beber cair e levantar”, “passando o rodo” e coisas do tipo.

Parece que foi há muito tempo. Mas o que dizer das pessoas consideradas adultas que permanecem, digamos, recalcadas? Vale lembrar que redes sociais potencializam esse lado obscuro dos que sofrem. Com o compartilhar e o tweet logo ao alcance do clique fica praticamente impossível conter esses impulsos.

Sem contar o álcool, que torna esses momentos de recalque ainda mais vergonhosos, acompanhados dos erros de concordância e português, onde o bebum acha que está abalando e dizendo o que ninguém sabe. Que situação, não?

Pessoas recalcadas geralmente não se consideram assim, e nem adianta o melhor dos amigos tentarem resgatar o que resta da dignidade dessas pessoas. Para elas estão sendo apenas verdadeiras. E sofrem tanto que nada mais faz sentido a não ser mostrar essa dor para o mundo. Talvez a pior fase do recalcado seja aquela que ele quer passar que está bem. Doce ilusão. É obvio que quem está feliz não precisa dizer isso a todo minuto. Coisas como “já te esqueci, a fila andou, quem perdeu foi você”, se mostram mais desesperadas do que qualquer “volta para mim”.

Volto a dizer que pessoas recalcadas nos incomodam pelo fato de serem desprendidas de seus pudores e enquanto nós, reles mortais, camuflamos e guardamos em nosso intimo, pensamentos que vão de agressivos a polêmicos. Afinal quem é mesmo o recalcado?

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