quinta-feira, 7 de maio de 2009

Certa vez me perguntaram num tom de gozação quantas vezes eu tive meu coração partido. Na ocasião me limitei a sorrir e me sentir totalmente constrangida. Percebi que aguardavam a resposta, mas todos que me conhecem bem, sabem que quando não quero, não falo. Engraçado que as piadinhas sem más intenções podem incomodar de verdade. Fiquei pensando no assunto e se tivesse mesmo que responder, diria: “nenhuma”.

Seria uma resposta polêmica, admito. Viriam com várias histórias. “E aquela vez? E aquela outra?”

“Não, eu não me esqueci de nada” eu diria. Mas como podem ter partido se nem ao menos chegaram a tocá-lo?

Na verdade o que se partiram foram ilusões, promessas, sensações. Coisas que eram minhas, só minhas. Não as dividi com ninguém, nem elas e nem nada a mais. Nunca foram tão longe. Claro que percebo isso agora, passado os aborrecimentos, decepções e momentos de rancor. Mas eram minhas formas de dizer tchau ao que eu sentia. Confuso? Talvez. Meu sentir sempre foi confuso para os outros e simples para mim.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Caminhos.

Chego a lugares sem saber como cheguei... Abro portas de casas que não são minhas. Faço curvas sem ao menos saber desviar. Escolho atalhos que me parecem longas rodovias. Sei onde começam os círculos, mas não onde terminam. E de nada me adiantaria mapas, não saberia como segui-los. Muros que serviriam para parar me fazem pular. Nunca presto atenção nos caminhos por não ter a intenção de voltar por eles. Acho outros, não paro para pedir informação, eu me perderia de qualquer forma.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Não confunda sensibilidade com fraqueza.
Não confunda arrogância com personalidade.
Não confunda submissão com lealdade.
Não confunda esperança com persistência.
Não confunda liberdade com fuga.
Não confunda prisão com amor.

quinta-feira, 26 de março de 2009

a conversa...

Talvez você perceba a minha ansiedade crescente enquanto falamos de assuntos banais e me pergunto desesperada se é a hora certa de começar. “O que você tem, aconteceu alguma coisa?”. Talvez é ótimo, eu que sempre fui tão obvia achei que seria diferente agora. “Nada, to normal”. Você continua falando e eu me acovardando (porque sei que estou quase desistindo) e tento aparentar uma calma que não existe . Me distraio com seu cabelo ao vento enquanto você fala alguma bobagem, no seu sorriso infantil e irresistível enquanto conta a última que aprontou. Onde eu estava com a cabeça quando pensei que poderia fazer isso?! Acho melhor desistir de tudo e não passar vergonha. Então você chega mais perto. Leva sua mão até o meu rosto. “Não vai mesmo me dizer o que você tem?" Pela milésima vez, não pode ser tão difícil assim! "Cismou com isso hein?! Não é nada, to só com sono." Como alguém pode ser tão patética meu Deus? A conversa segue como sempre num tom de provocação e risadas. Visivelmente decepcionada eu me despeço. Então você me abraça e logo antes de sair pergunta me pegando de surpresa: "O que você queria me falar mesmo?". "Ah nada demais, amanha eu falo". O amanha não vem e você sempre volta. O medo me paralisa mas a vontade pulsa. Não saber é quase tão ruim quanto você não ver. É, amanha eu falo...





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terça-feira, 10 de março de 2009

doce amargo

Serei o doce em sua boca e o amargo em seu peito. O contrário não há de ser. Darei-te tudo o que quiser e nunca o que me pede. Irei te conhecer melhor do que você. Quando sentir-se amargar mais do doce vai querer. Não negarei quem sou por isso vai repudiar me amar. Quando desejar nunca ter me conhecido, meu nome serás o único a chamar. Vais negar algumas vezes e se entregará em todas. O amargo vai gritar do seu peito e se calar no doce do meu beijo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Minha Herança: Uma Flor

Achei você no meu jardim
Entristecido
Coração partido
Bichinho arredio

Peguei você pra mim
Como a um bandido
Cheio de vícios
E fiz assim, fiz assim

Reguei com tanta paciência
Podei as dores, as mágoas, doenças
Que nem as folhas secas vão embora
Eu trabalhei

Fiz tudo, todo meu destino
Eu dividi, ensinei de pouquinho
Gostar de si, ter esperança e persistência
Sempre

A minha herança pra você
É uma flor com um sino, uma canção
Um sonho, nem uma arma ou uma pedra
Eu deixarei

A minha herança pra você
É o amor capaz de fazê-lo tranqüilo
Pleno, reconhecendo o mundo
O que há em si

E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu


Canção de Vanessa da Mata que encontrou um gatinho de rua machucado e doente no seu jardim, cuidou dele, e hoje vivem felizes juntos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sabe quando você fica muito tempo numa mesma posição sem perceber e uma parte do seu corpo acaba ficando dormente? Aquilo te incomoda, você sente um peso estranho e começa a se sacudir, quer voltar a sentir. Então você se acalma porque sabe que em questão de minutos vai voltar a sentir tudo normal. É assim...