Lembro a primeira vez que te vi numa rave na UFES regada a muita cerveja e gente esquisita, você me chamou atenção pelo visual, cabelão de roqueiro e estilo descompromissado. A segunda vez que te vi, numa festa, você já era outra pessoa com cabelo curtinho, piercing na nuca (?) e uma tatuagem num lugar impensável. E eu? Ainda nem sabia quem eu era. Te vi uma terceira vez na famosa rua da lama (que ainda seria cenário de muuuitos momentos) e fui até você, com o pretexto de uma entrevista para a faculdade, ficamos amigos.
Viramos confidentes em uma fase de loucuras e descobertas. Você não me fazia muitas perguntas, mas me ouvia. Ao contrário de mim, que sempre fiz as perguntas mais indiscretas (“Mas por que vc quer saber isso, sua louca”). Não te importava de onde eu vinha ou o que eu tinha. A gente se completava em noites cercadas de gente, mas que podiam ser altamente solitárias.
E nós dançamos, e como dançamos. Dançamos até perder o rumo de casa (mais de uma vez), o juízo, o pudor, os limites. A noite era uma criança para nós, que lutávamos para nos sentir jovens e vivos. Nos aproximamos mais a cada encontro, sem cobranças e sem expectativas e a cada afinidade revelada passei a te amar, meu amigo.
Como não lembrar da primeira vez que fomos ao cinema? Choveu tanto depois, e você entrou em pânico por dirigir sem conseguir enxergar nada, enquanto eu morria de rir tentando limpar o vidro ao som de The Ting Tings e só pensava em quando tomaríamos uma. Eu te contei que minha mãe me chamava de ladina e vc nunca mais me chamou de outra coisa. Você ria na minha cara quando tocava violão e eu cantava como uma louca empolgada. Você achava minha barriga sexy e não perdia uma oportunidade de levantar minha blusa e mostrar para quem estivesse perto, me matando de vergonha! E eu sempre achei o seu sorriso gostoso e admirava a forma como você cativava fácil a todos com seu jeito todo Eden de ser. Confiante, sedutor e ao mesmo tempo despretensioso.
Passamos por um breve momento de distanciamento, mas achamos sem dificuldades nosso caminho de volta, o que nos uniu e fortaleceu ainda mais. Já disse e volto a dizer, de vc eu gosto de graça. Seja pela sua sonseira sem fim, pelo seu espírito livre, pelo seu carinho confortante. O que tivemos foi um encontro de almas. Sorte a nossa. Espero ansiosa para ver quem seremos no futuro e muito da mulher que sou hoje devo a você. Que encontrou uma garota perdida em seus pensamentos, desajeitada, com a nítida timidez camuflada pelo álcool e que ansiava ser vista de verdade, que precisa se perder para só assim se encontrar. Obrigada por ter me visto. Obrigada por se perder comigo. Te amo, parabéns.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
terça-feira, 19 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
unknown
Acordei triste um dia desses. E não senti um pingo de culpa por isso. Deixei o desanimo bater na minha porta sem ser convidado. Deixei a angústia passear por entre meus pensamentos e receios. Deixei também que as lágrimas escorressem livremente, sem vergonha, sem pudor, sem lenços.
Resquícios de uma tpm? De um problema que não consigo resolver? Não me perguntei. O problema do ser humano é querer racionalizar tudo. Uma razão para tudo. Um motivo para tudo. Essa obrigação de ter que saber tudo o tempo todo é tão desgastante. “Mas como assim você ainda não leu aquele livro? Não ouviu aquela música, não leu aquela notícia?” Tem dias que eu apenas quero não saber.
Busco o silêncio. Não me obrigo a sorrir, a me sentir melhor, não me envergonho do meu pranto. Não tem dias que precisamos sorrir? Acredite, também existem os dias que precisamos nos recolher. Fraqueza é se negar a isso. Vou escutar as músicas que me emocionam, vou achar menos graça do mundo. Vou ficar mal humorada e até chata.
Se choro hoje, sei que amanhã logo passa. Se permitir a tristeza é ainda mais difícil do que se permitir a felicidade. Do que temos tanto medo? De sermos tristes ou de perceber que nunca de fato felizes?
De não sermos tão bonitos ou tão interessantes ou então não tão disponíveis? Desculpa a sinceridade, mas se suas amizades não podem sobreviver a um dia, hora de revelas.
Ou então voltamos para aquela velha história, talvez o medo venha de algum lugar mais próximo. Para alguns se ouvirem no silêncio pode ser assustador e para outros libertador. Fico com o segundo grupo. Não tenho medo do que vou achar, meu único medo é que não encontre.
Me abraço nesses dias como uma mãe abraça seu recém nascido indefeso, entregue e desprotegido. Choro até que me canso e esteja pronta para sorrir de novo.
Resquícios de uma tpm? De um problema que não consigo resolver? Não me perguntei. O problema do ser humano é querer racionalizar tudo. Uma razão para tudo. Um motivo para tudo. Essa obrigação de ter que saber tudo o tempo todo é tão desgastante. “Mas como assim você ainda não leu aquele livro? Não ouviu aquela música, não leu aquela notícia?” Tem dias que eu apenas quero não saber.
Busco o silêncio. Não me obrigo a sorrir, a me sentir melhor, não me envergonho do meu pranto. Não tem dias que precisamos sorrir? Acredite, também existem os dias que precisamos nos recolher. Fraqueza é se negar a isso. Vou escutar as músicas que me emocionam, vou achar menos graça do mundo. Vou ficar mal humorada e até chata.
Se choro hoje, sei que amanhã logo passa. Se permitir a tristeza é ainda mais difícil do que se permitir a felicidade. Do que temos tanto medo? De sermos tristes ou de perceber que nunca de fato felizes?
De não sermos tão bonitos ou tão interessantes ou então não tão disponíveis? Desculpa a sinceridade, mas se suas amizades não podem sobreviver a um dia, hora de revelas.
Ou então voltamos para aquela velha história, talvez o medo venha de algum lugar mais próximo. Para alguns se ouvirem no silêncio pode ser assustador e para outros libertador. Fico com o segundo grupo. Não tenho medo do que vou achar, meu único medo é que não encontre.
Me abraço nesses dias como uma mãe abraça seu recém nascido indefeso, entregue e desprotegido. Choro até que me canso e esteja pronta para sorrir de novo.
sábado, 16 de julho de 2011
Martha Medeiros
"...falar o que se sente é considerado uma fraqueza. Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade se instala. Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus.
E não é este tipo de nudez que nos atrai. Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente se sabe.
Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados. Tão banal, não?
E no entanto esta banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras.
Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ele é - ou foi - importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente.
A maioria das relações - entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos - ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade.
Pode-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade.
Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial.
E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil. Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois.
Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós - e este "a nós" inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou.
Somos sádicos e avaros ao economizar nossos "eu te perdôo", "eu te compreendo", "eu te aceito como és" e o nosso mais profundo "eu te amo" - não o "eu te amo" dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o "eu te amo" que significa: "seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo".
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas."
Martha Medeiros
E você, já disse algo para alguém hoje? Bom sábado!
E não é este tipo de nudez que nos atrai. Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente se sabe.
Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados. Tão banal, não?
E no entanto esta banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras.
Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ele é - ou foi - importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente.
A maioria das relações - entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos - ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade.
Pode-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade.
Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial.
E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil. Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois.
Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós - e este "a nós" inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou.
Somos sádicos e avaros ao economizar nossos "eu te perdôo", "eu te compreendo", "eu te aceito como és" e o nosso mais profundo "eu te amo" - não o "eu te amo" dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o "eu te amo" que significa: "seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo".
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas."
Martha Medeiros
E você, já disse algo para alguém hoje? Bom sábado!
quinta-feira, 14 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)




